Literatura mulherzinha?

foto: Lubs Mary, no Flickr

Paulo Palavra

Uma das coisas que acho mais divertida no mundo da literatura é a tentativa de criar segmentação para os autores/livros. Ok, dá pra gente segmentar em ficção, ficção científica, não ficção, policial… mas dizer que isso é livro pra homem e aquilo é livro pra mulher eu não engulo. Digo isso pois acabo de ler “Comer, rezar, amar”, da americana Elizabeth Gilbert, título rotulado como “literatura feminina”.

Por que rotulam assim? Porque a autora conta a história de um ano de sua vida quando, saída de um divórcio complicado, resolveu passar um ano em busca de equilíbrio entre o carnal e espiritual. Para isso, buscou o prazer na Itália (comer), a paz espiritual na Índia (rezar) e o equilíbrio das duas – e como conseqüência, o amor – na Indonésia (amar). Em cada lugar, Liz ficou por 4 meses vivendo histórias cômicas e tristes, repletas de descobertas e vitórias pessoais.

Então a equação é a seguinte: vida de uma mulher + sofrimento com divórcio + busca por autoconhecimento + gordurinhas a mais na Itália + experiências transcendentais na Índia + a descoberta de um novo amor em Bali = literatura de mulherzinha. Até posso concordar que é, mas por que deixa-la restrita às mulheres? Por que nós, homens, não podemos nos render a tais histórias? Esse nível de machismo já é uma coisa tão ultrapassada, não?

Penso que se uma de nossas maiores reclamações é a de que “não entendemos o universo feminino”, por que não ler o que a elas é interessante e tentar compreender um pouquinho mais? Penso que essa é uma saída bem plausível para quem busca uma compreensão melhor do que se passa na cabeça delas.

Então, recomendo – tanto para homens, quanto para mulheres – a leitura de “Comer, Rezar, Amar” como uma forma de aprendizado e novas perspectivas sobre a vida (independente de gênero). Recomendo pela forma divertida como a autora conta seus momentos mais difíceis e por sua capacidade de rir de si mesma nos piores momentos.

Enfim, só para ilustrar como rotulam o que é masculino e o que é feminino, pouco tempo depois de “Comer, Rezar, Amar” fazer sucesso, um homem chamado Andrew Gottlieb lançou uma versão masculina intitulada “Beber, Jogar, Foder”. Bem machão, não? Ainda não li, mas pretendo.

3 pensamentos sobre “Literatura mulherzinha?

  1. Até que enfim um homem entende e repete esse discurso! É o que as mulheres tentam fazer o mundo entender há um bom tempo – inclusive elas mesmas, em alguns casos. Literatura, assim como arte, comportamento, programa de televisão, etc, é uma preferência que não tem nada a ver com a biologia. Não é biológico, é social! E, sendo social, pode ser mudado, alterado, e, claro, absorvido pelos homens a qualquer momento. Sem que eles deixem de ser homens por isso.

  2. Concordo com o moço aí de cima a literatura enquanto arte não tem nada a ver com a biologia. Ninguém é menos homem ou menos mulher por ler isto ou aquilo.

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