Estamos com abstinência!!

O consumo elevado destas drogas nos levou à overdose. Estamos em uma clínica de recuperação, mas voltamos muito logo. Ao consumidor inveterado destas drogas, nossos esclarecimentos: nossa pouca atividade nos últimos dias tem alguns motivos. 1 – O Morillo, um dos repórteres do blog, acaba de descobrir que será papai e está sem tempo de ver sequer um filminho. 2 – A Ana Luiza Zenker, outra repórter, está resolvendo alguns problemas particulares. 3 – A Camila Coelho comprou uma bicicleta e sumiu no mundo pedalando (e não sabemos se ela vai voltar). Portanto, como a vida vai precisar de um pouco de organização, as atualizações por esta semana podem demorar um pouco. Nossas vidas culturais estão um pouco aquém do que requer o nosso sofisticado consumidor de drops. Mas não nos abandone. Voltamos logo que tomarmos alguma droga para nos recuperarmos. E com algumas novidades.

Faíscas televisivas e o telefonema londrino

Last.fm

The Clash. Foto: Last.fm

Quando o The Clash morreu, eu mal tinha nascido – sou de 84, eles encerraram a banda em 85. Fui saber da existência dos caras lá por 2000, vendo na TV algo sobre as maiores bandas do mundo. Um dia entra o professor na sala de aula, 7º semestre de jornalismo, e indaga: “alguém aí conhece The Clash”? Cri, cri, cri. “Conheço”, respondo, não muito convencido da minha resposta. Nem era pra dar uma de pimba, era porque, porra, se tratava de um parco e porco conhecimento mínimo de música, né?

No fim daquele ano, no aniversário daquele professor, então transfigurado em amigo, eu ganharia um CD dele, com uma porrada de músicas do Clash – é que no aniversário dele, quem ganha presente são os convidados. “Foram os primeiros a perceber que era possível fazer punk sem ser idiota”, contou-me, na ocasião. Pois bem, os caras dispensam qualquer comentário da nossa farmácia. Vale a pena meter o dedo aqui pra acessar a página da banda na Last FM (aliás, insisto: estamos por lá, dá uma procurada por dropsculturais ou clica aqui também).

Foi um texto de Ana Maria Bahiana, renomada jornalista cultural (e autora do Almanaque dos Anos 70), que deu a Álvaro Pereira Júnior, outro jornalista de cultura, o start na carreira dele – que acabou de participar do Altas Horas, comandado pelo também jornalista Serginho Groismann, que dá vida inteligente às madrugadas de sábado/domingo. O texto dela era “Um susto, uma paulada: Clash!! E a vida continua”, publicado na revista Som Três nº 19, de 1980. E virou clichê de qualquer cara que se aproximaria dela, anos depois, para dizer que se tornaram jornalistas de cultura por causa deste texto.

O Álvaro é daqueles caras da Globo que faz mil coisas ao mesmo tempo: chefia a redação do Fantástico, escreve uma coluna na Folha, apresenta um programa de rádio, implantou o G1… E é conhecido por detestar a tropicália e o apadrinhamento de gêneros musicais populares (como o axé) pelos principais expoentes tropicalistas. Na participação dele do Altas Horas, faíscas: Ed Motta solta que, para ele, “quem sabe, faz, quem não sabe, ensina e quem não sabe de nada, critica” e que ele “despreza a crítica como a uma mosca, que vem passando, mas é fácil de matar”.

MySpace do CD.

Intimidade entre estranhos: Frejat mantém sonoridade com parcerias inéditas. Foto: MySpace do CD.

Silêncio momentâneo na platéia, mal estar… Dois jornalistas ali, sendo o Álvaro, também, um crítico. E lhe dá uma resposta atravessada. O sobrinho do Tim Maia – ele detesta que qualquer pessoa faça qualquer referência ao tio dele, em entrevistas – manda muito bem quando canta “se arruma, tem espaço na van”… Mas é indissociável, pelo menos pra mim, o som do artista e sua postura. E essa arrogância é irritante. Não curte crítica? Componha um London Calling. Além de só falarem bem do seu som e de sua postura,  você ainda vai colaborar para a proliferação de críticos, os abomináveis críticos… Ed Mala…

Quanto ao simpático Frejat, que entende e respeita o trabalho da crítica: mostrou parte do novo CD solo dele. Sonoridade fiel ao que sempre fez, com qualidade. E parcerias inéditas: Gustavo Black Alien (ex-Planet Hemp), Zé Ramalho e Zeca Baleiro. Ele apresentou a música que fez com Alien, boa, como qualquer outra dele. Nem deu pra notar qualquer pitada de hip hop, que era de se esperar de um duo com um rapper. Quando ouvir o CD completo, “Sexo com desconhecidos”, digo, “Intimidade entre estranhos”, conto mais.

Importante é o Muse?

“Só vim para não pagar ingresso pro show do Muse”, começou a coletiva, brincando, a Pitty. Nos bastidores do festival, as bandas costumam falar com a imprensa depois de seus shows. Ela fez diferente, porque não queria perder o show da banda inglesa. Diz o zine oficial do evento que esta faz uma fusão de indie rock e eletrônica com influências de rock pesado e progressivo. Pra quem eles são ilustres desconhecidos (meu caso), resta esperar que a salada seja boa.

Deve ser, aliás. São eles que vão encerrar o festival hoje (que é o último dia), e a organização preparou um esquema especial de cobertura do show. Volto pra contar. Corta pra Pitty.

A apresentação dela acabou de acabar e a impressão que me passou foi de que há um grande público adolescente, gay, e emo gostando dela. Daí, dei uma googlada e lembrei que ela chegou a ficar grávida do Daniel Wesler, do NX Zero (perdeu aos três meses). Será que rolou uma transposição do público NX Zero (que embora detestem ser chamados de emo, eles são!), e os emos passaram a gostar de Pitty? Provável.

Enquanto ela dava entrevista, alguns deles, do lado de fora, estavam a gritar “Pitty, toca a música ‘x’, Pittyyyy!”… E ela dizia, dentro da sala de coletivas, que parece “negligência, mas na verdade é falta de habilidade” sua para lidar com essa empolgação. Ela tocou as versões que fez de uma música x do Chico Buarque (quem ficou lá atrás não conseguiu entender direito por conta do eco) e “Na sua estante“, se não me engano a última a circular pelo mainstream – versão de uma música gringa x também, muito boa, mas não lembro agora. Embora na verdade eu não curta o som da baiana, o clipe é bem legal, inspirado em “O Mágico de Oz” (clica no nome da música pra ver).

Enfim, ela contou que prepara um novo disco logo que sua turnê acabar, em novembro. E ainda não sabe o que vai vir. “Não tenho medo de arriscar. Prefiro me foder com o que fiz do que não fazer. E música pra mim não é algo burocrático, não consigo pensar ainda se ‘vai ser rock com uma pitada de soul’. Vai sair o que sair, espero que tenha novidades”, disse.

O fato é que, embora ela tenha garantido que amadureceu musicalmente de 2003 (quando despontou na mídia) pra cá, foi a mega infantil e de 2003 “o importante é ser você, mesmo que seja estranho. Seja você, mesmo que seja bizarro” que fechou o seu show… Daí, fica explicado o público adolescente. A identificação com as letras, né?

Sem acidez, creio que este seja o último post da cobertura. Foi curtinha, mas deu pra dar uma geral de como está o evento. O Muse já deve ter tocado umas seis músicas, e o som é bacana. Agora, por exemplo, tocam uma bem de rock progressivo.

Vamos corrigir um equívoco: o Porão tá entulhado de gente, mas nem tanta. Foi uma impressão de quem viu o público de cima. Agora que entrei no meio do público para encontrar a maior consultora desse blog, a Lílian Beraldo (vulgo Beraldina, minha editora na Agência Brasil), em pleno show da Pitty, posso detalhar melhor que até que tá cheio, mas há um grande vazio lá no fundão.

Termino com a dica: o zine do Porão tem um site oficial com uma agenda de shows de rock em Brasília e no entorno. É só clicar para ver. Fui.

Pelo bem do rock’n roll e da Lei Seca

Não estou amparado por nenhuma pesquisa estatística séria, mas o meu círculo de amizades é significativo e tem gente de todo tipo. Entre eles, é unânime: a Sol é a pior cerveja que existe. E é de emputecer vê-la figurando em tudo que é banner e panfleto de qualquer grande evento, porque é fria na certa: só vai dar ela lá. No Porão do Rock, não deu outra: a cerva é a Sol.

Claro, grana é grana e é ela quem viabiliza um evento. Mas será que é só a Sol que patrocina? Ou é uma estratégia em prol da lei seca – obrigar neguinho a não beber? Claro que essa última hipótese é só um devaneio de quem detesta essa cerveja e prefere ficar na Coca a bebê-la…

Bom, o fato é que acabou de rolar a coletiva com o Autoramas e o festival tá entulhado de gente. Faz tempo que não vejo juntar tantas pessoas no Porão. Bom. Sinal de que a estratégia desse ano deu certo: privilegiar a música independente. Em 2006, rolou Titãs, Ultraje e Skank. Gosto dos caras, mas é certo que, aliado à tenda eletrônica, a quantidade de bandas pop afastou o público, naquele ano – evidentemente em busca de som independente.

O show da Mundo Livre S.A. foi do caralho! Tocaram um bom leque de seu repertório, marcado pela mistura bem-sucedida de samba a la Jorge Ben com rock’n roll, influenciado pelo Mangue, claro – não podiam negar a raça, né? Que bom. E começou na hora prevista, 21h50, bem como todas as atrações.

Agora tá rolando a Supergalo, daqui do DF, que faz um som pesado e bom. A banda tem dois integrantes de ninguém menos do que Raimundos, ícone do rock de Brasília nos anos 90 – no meu Top 10 da década, ela fica em primeiro.

MP3 é tudo o que temos

Para as bandas Amp (de Recife) e O Círculo (de Salvador), o formato digital de música é tudo. Foi o que os caras acabaram de dizer na coletiva que reuniu as duas, nos bastidores do Porão do Rock. “É fundamental para o nosso trabalho. Estamos pensando em fazer discos para MP3, para que a qualidade não se perca”, mandou Djalma (voz e guitarra) do Amp. “Quem reclama do MP3 é porque tem estrutura. O que nós temos é ele”, soltou Pedro Pondé, vocalista do O Círculo.

O Amp tocou no palco Pílulas, faz rock pesado e garante que tocou o mais alto que pôde para que o som do palco principal não atrapalhasse. Já o O Círculo tocou simultaneamente, no palco principal, o seu “rock popular brasileiro”, apontado pelo Zine oficial do festival como nascente na Bahia.

“A gente luta para fazer evento de rock lá, onde a mídia e o mercado são voltados para o axé”, disse Pondé. “Por não haver mercado, cada banda desenvolve sua personalidade. Acaba sendo mais livre e é a parte boa da dificuldade”, apontou.

O cara disse ainda que, ao contrário do que ocorreu em boa parte do país no cenário da música independente que sofreu estagnação pelos últimos cinco anos (por conta do surgimento de bandas cover e muito emocore), na Bahia isso não rolou – até pela falta de mercado. E profetizou:

“Um boom em Salvador é possível de acontecer em cinco anos. Vai haver uma revolução”. Será? Tomara. Ambas estão no MySpace: www.myspace.com/amprockrecife e www.myspace.com/ocirculo.

Um porão que virou “o” Porão

Das catacumbas da 207 Norte para uma área de 25 mil metros quadrados, no estacionamento do Mané Garrincha. Este é o resumo da tragetória de um dos maiores festivais de rock do Brasil: o Porão do Rock, que estamos acompanhando. É a 11ª edição do evento e a 1ª vez que o Drops faz cobertura em tempo real.

É, estamos aqui. Neste momento, está rolando o show do Autoramas no palco principal. Também neste momento, nos chamam para uma coletiva com “O Círculo”, banda baiana, ultima a tocar no palco “Pílulas”, invenção desta edição. Aliás, adianto que foi uma boa invenção (tá entopido de gente lá), após a escorregada de 2006, quando a organização colocou uma tenda eletrônica – que, na minha opinião, desvirtua um evento de rock’n roll.

Acabamos também de ganhar um CD e um DVD desta banda. Desconheço. E me amarro em ganhar cd’s de bandas que desconheço. Conto depois como é. Conto daqui a pouco como eles são. Fico devendo fotos por enquanto – coloco mais tarde.

O Porão tá ao vivo no site www.queroerock.com. Segue a programação:

Sábado ( 2/8/2008 )

Palco Principal
17h – Canastra (RJ)
17h35 – Vai Thomaz no Acaju (DF)
18h10 – SickCity (Alemanha)
18h45 – Sapatos Bicolores (DF)
19h20 – The Tandooris (Argentina)
19h55 – Lucy and the Popsonics (DF)
20h30 – Papier Tigre (França)
21h05 – Autoramas (RJ)
21h50 – Mundo Livre S/A (PE)
22h35 – Supergalo (DF)
23h20 – Pitty (BA)
0h25 – Muse (Inglaterra)

Palco Pílulas
16h – Gilbertos Come Bacon
16h50 – The Pro (DF)
17h40 – Tom Bloch (RS)
18h30 – Super Stereo Surf (DF)
19h20 – Amp (PE)
20h10 – O Círculo (BA)
21h – Janicedoll (DF)
21h50 – Orgânica (SP)
22h40 – Nancy (DF)